08 maio 2015

Da Lagarta à Borboleta - Transformações



Nos Upanixades esse animal simboliza
a transmigração e a transmutação,
pela maneira como passa
de uma folha a outra
e de larva para borboleta.

As borboletas apresentam metamorfose completa, o que significa que durante o seu desenvolvimento vão sofrendo mudanças na forma e na estrutura do corpo. O ciclo de vida das borboletas ocorre ao longo de 4 fases: ovo, lagarta, crisálida e adulto.

Não, não vos venho falar das transformações do mundo animal...Mas sim das transformações do nosso ser interior. 

Trocar, mudar, transformar, abandonar a zona de conforto, desapegar do passado, de velhas crenças, adotar novos paradigmas. Essa é a tarefa dos tempos atuais para quem trabalha na Luz. A mudança geralmente assusta, motivo pelo qual nos agarramos ao material e ao que supostamente nos dá segurança. 

Esqueça! Nos tempos que correm não sobrará pedra sobre pedra. A energia mudará tanto, mas tanto, que cada um de nós terá a sensação de ter morrido simbolicamente e renascido de outra forma. Ser Lagarta ou Borboleta? A escolha é sua. Por que será que mudar, de modo geral, costuma apavorar-nos? Mudar de casa, de emprego, de amigos, de cidade, mesmo quando é para melhor, ainda assim, nos assusta

E é sobre a óptica da metamorfose da mudança da lagarta à borboleta que refletimos hoje. Se pensarmos no comportamento humano nos seus diferentes ciclos de relacionamentos, rapidamente chegaremos à conclusão de que existem comportamentos padronizados e enraizados e que se repetem e repetem. Nada que sirva a nosso bem mais elevado.¹
...
Tem gente que não consegue se ver borboleta e luta contra tudo e contra todos para viver eternamente no estado de lagarta.

Tem gente que até imagina o futuro como borboleta, mas, com tanto medo do desconhecido, não consegue abrir mão da vidinha de lagarta.

Tem gente que já é borboleta, mas sente, pensa e age como lagarta, encolhendo as asas e rastejando como se não pudesse voar.

Tem gente que, depois de virar borboleta, esquece de onde veio e se sente superior às lagartas.



Tem gente borboleteando pela primeira vez e se espanta de, às vezes, chorar de emoção ou gargalhar até
não aguentar mais quando se depara com coisas tão simples quanto uma gota de orvalho numa folha pela manhã, duas pessoas se abraçando, brigadeiro de colher, um copo de água gelada num dia quente de verão, suco de laranja colhida na hora, bebê dormindo, bolo de aniversário, desenho de criança, homem aos prantos, olhar desamparado de mendigo, vovô empinando pipa com o netinho, cachorro correndo atrás do próprio rabo, papagaio falando palavrão, formiga carregando folha dez vezes maior do que ela, acordar sem despertador, por do sol no mar, raios e trovoadas sem chuva, arco-íris, nuvem que parece rosto de gente, menino puxando barba de Papai-noel, casal dançando fora do ritmo da música, beijo selinho, beijo no rosto, beijo no pescoço, beijo de língua, beijo na mão, beijo nos dedinhos do pé gordinho do nenê que ri gostoso, como se ele soubesse claramente de sua essência borboleta. Eu acho que ele sabe…

Qualquer que seja o seu momento, você é, ao mesmo tempo, lagarta e borboleta. Você pode ou não ter consciência disso, o que não muda em nada o fato de que nossa natureza é a mudança. Basta observar a si mesmo e o seu entorno. Seus cabelos crescem, suas unhas crescem, sua pele envelhece, os alimentos e a água que você ingere se transformam dentro de você, seu corpo não para de se transformar um único segundo. Tudo a sua volta muda o tempo todo. Lutar contra isso não vai ajudar em nada. Pelo contrário, ir contra a correnteza é sempre uma tarefa dura, dolorosa e inglória – para não dizer burra! A água sempre segue o seu fluxo, contornando com facilidade os obstáculos que encontra pelo caminho ou perfurando-os paciente e insistentemente ao longo do tempo.

Portanto, da próxima vez que você se sentir ameaçado ou ameaçada por alguma mudança em sua vida e ficar com aquela vontade de rastejar rapidinho de volta para o seu casulo, pare, pense, conecte-se com o seu coração e seus sentimentos mais profundos e lembre-se do prazer que é voar na confiança no fluir e olhar o mundo sob outro ponto de vista, na companhia de um sem número de borboletas, sejam elas promessa, presença ou história.²


Fonte:
¹ anônimo
² Fábio Betti 
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